Avenida
No tempo, as coisas diluídas de eternidade
consomem o papel que me foi apresentado.
Sou só um ser sem jamais ser
O que em mim flui reversamente
Nas livrarias, no shopping, nas ruas
toda difusão veemente de um indivíduo
circunscrito a sua própria ausência
apontam para uma presença remota.
Dor, tédio, escrúpulo da alma
dentro da angústia que não acontece
e força o ritmo lento dessas avenidas
que se cruzam praticamente em vão.
domingo, 29 de abril de 2012
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Digo de você beleza, coisa rara, aproximamento gostoso, beijo-fruta, tensão, orvalho sinistro de uma doce descoberta. Digo de você que é bom, é maravilhoso, estar ao seu lado, num só-silêncio de desabrochar paixão – os vastos sentimentos nos olhos, benquistos, penetrantes. Digo tantas coisas indizíveis, tantos encontros eloqüentes, prazeres fluídos, rosa vermelha no coração, cadente e bela, solta de pétalas desgrenhadas. Digo o-bom, o sincero, cadências lógicas, suores refinados, olhos e mãos, vibrantes, entrelaçados fitos. Coisas sonoras que estremecem, que encantam, que transformam, que revelam. Digo, principalmente, algumas percepções da minha alma, assim:
Suaves sensações quando olhas
bem e forte dentro do mundo
nosso coração exagerado solto
em amor e violência.
bem e forte dentro do mundo
nosso coração exagerado solto
em amor e violência.
Coisas bonitas, adagas de plumas, desejos reclinados à procura de uma seda. Coisas importantes, o sensitivo consumindo toda sua pureza, esquecimento e paixão, preclara tentativa. Digo de você também certas noções falhosas de geometria plana, uns buracos no corpo, você com ratos-cães-coelhos nas mãos, depois o muro, aquele desabrochar de barrigadas e também a morte, persecutória. E, nas minhas mãos, um pássaro doente, breve poema onírico:
A ave-machucada
Tenta alturas densas.
Os meus olhos miram
Quedas, catástrofes, bifurcações
De um pássaro sem respiração
Que se dilui em papel.
Tenta alturas densas.
Os meus olhos miram
Quedas, catástrofes, bifurcações
De um pássaro sem respiração
Que se dilui em papel.
Nas mãos: divina dobradura.
Não é ilusão, tudo é bonito e forte, e palpável. Teu rato, tento um poema, porque sagrado o sonho do teu depois, antes de nos dizermos.
Pequeno rato
Consumido dócil.
Teu estilhaço de entranhas
Nas petranhas do muro
Quando olho compungido
Tuas vísceras expostas:
Mãe diz ser assim o mundo.
Consumido dócil.
Teu estilhaço de entranhas
Nas petranhas do muro
Quando olho compungido
Tuas vísceras expostas:
Mãe diz ser assim o mundo.
É, se eu tiver dó do ratinho, salvo-o em pensamento. Canções leves sobressaem isentas de melodia do nosso sentir místico. Eu, escrevendo, te alcanço pura. De mim a grandeza de um amor. Mas o que me pensa a vida tão cheia de mágoas – é acúmulo funesto de palavras, dos outros, ditas. Purezas. Durezas. Irrealidades. Meu sonhado-amor nas asas de um passarinho: debruça-se num vôo expansivo e devoto.
Sonho-me a ti
O teu pensado
Amor.
O teu pensado
Amor.
Lilás, faca-molhada
De um cortume
Sem carnes.
De um cortume
Sem carnes.
Cravando espátula
Tua espada-rosa
Nos meus olhos
Tão feridos.
Tua espada-rosa
Nos meus olhos
Tão feridos.
Bonita alegria, jeito doméstico de sentir a vida. Seremos sonhos, asas, espadas, ratos, pássaros e beijos. Seremos o inconcluído do amor, mas você ferindo através do tempo minha delicadeza e aura. Sonho-me a ti na supressão do sonho do teu sonhado sentimento. Visito tua casa, teu morar sem paredes, os desejos de querer encontrar o tão-impossível da tua vida. Tua batalha acarinhada, coração sem retalhos, o informe da nuvem livre balsa do teu trasladar-se. Sim, sim, prosa-feitiço escancarada. O amor não é o raso, mas o fundo, o eco, sombra-densa de uns olhos levíssimos. O amor me humaniza, a ti também. Lugares onde estávamos (e era bom) sem a corrosão do vir-a-ser, no depois machucável da gente. Tão assim, à ponta da paixão. Flagelos inexistentes. Sentimento transparente. Essências. Ser-essência da minha vida, gostoso atravessar no infinito do teu sonho. O lado lúdico dos enamorados, um caos efervescente brotando. Briosa loura, teus cabelos tão à mostra. Umas montanhas sonhadas, cobertas de verde vegetação. Caminhando, eu e você, subindo a encosta, num suspender de beijos. Aconteceu? Sim. Não. Em algum lugar do tempo, sempre juntos. Eternos abraçados. Alados. Deitados profundos, sintonizados e carecentes, mãos dadas. Um dia o céu todo nosso. Alados. Eu, você, nuvens e estrelas, viajores do infinito. Alados. Mas, agora, quero lhe dizer o Mar, aquilo de vasto em nós. Soberbo infindo. O mar nosso menino. Êxtase no olhar – o de sempre nunca encontrar. O inficto. Incontinente. Descabível. Aquilo de olhar alargado, infronteiriço, desmedível. O mar em nós: o raso do amor, móvel em águas. Silêncio de concha no ouvido – barulhomar, marulhar de ondas. O mar são os olhos da gente olhados dentro de nós mesmos, fundos? Tantas funduras, ilusões, a superfície lisa dos desejos, escondida. O olhar atravessado, perquirindo o inesgotável inimaginável de lá. Mar-menino. Você e eu – na beirada-areia do amor. Mágicos. Leves. Suspeitos. A noite, o som sonoro daquelas águas, quilométricas, quebrando afoitas, rente à praia. A lua, plúmbea, derrama sua brancura sobre nós. Então, silêncio: o de se esperar sorrisos.
Mar-menino, contorna-te
De águas nosso amor.
Afunda funduras fundas
Dinamiza dois perfis
Alagáveis.
De águas nosso amor.
Afunda funduras fundas
Dinamiza dois perfis
Alagáveis.
Mar inocente de terras
Dois meninos sentados
À beirada arqueada
Do teu infinito.
Dois meninos sentados
À beirada arqueada
Do teu infinito.
Talvez o além. Sempre penso o mar minha espiritualidade aflorada. Dois meninos. Peneiras-d’água. Cobriremos de águas nosso corpo e sombra, num roçar de pálpebras. E haverá o salgado da pele, dourada roupa, nos revestindo. O mar também sofre seu excesso. E tenta recostar-se num berçário de rochas.
Sol poente
Meninos leves
De mãos dadas.
Meninos leves
De mãos dadas.
Dourado sonho
- intocável alegria –
Reclinados sempre
Ao desejo mútuo.
- intocável alegria –
Reclinados sempre
Ao desejo mútuo.
O cobre-alaranjado
Último esboço
De um céu sangrado.
Último esboço
De um céu sangrado.
Caminhamos. Queremos contornar a ilha. Nossos passos, andarilhos, pés no chão, descalços. Um navio sumidouro no limite-horizonte de nossos olhos. A ilha-tartaruga, grande, majestosa, inventada em água-terra-água. O caminhar, precipício de pés. De mãos dadas, em frente, pois, o ciclo-estrada de nossos destinos.
Os passos sem rochedo
Andam sobra águas-finas
Vagueiam sem matéria
À procura de Ilhas.
Andam sobra águas-finas
Vagueiam sem matéria
À procura de Ilhas.
Os passos espreitam
Uma rudeza virgem
De Terras.
Uma rudeza virgem
De Terras.
Tocam o solo
Sem saberem de si
Os pés do poeta.
Sem saberem de si
Os pés do poeta.
Pois agora é tão longe – vagareza de dentro – as coisas esparsas – o desejo de antes – a matéria de viver, corrompida – os segredos violados – corpos intensos, que se procuram – alguns versos, meus, sentidos à dureza do ser – e tão o mar nosso conhecido, sem beirada profundo – acontece sempre de nos deitarmos sobre algum chão sem terras – esperar que o bonito da vida se faça, razoável, dentro e forte, novamente estonteante – que não haja tanto sofrer, guerras nossas travadas, descabidas batalhas horríveis – e sonharemos um dia a vastidão de sermos nós, demais – ilimitados sempre, enquanto nos beijamos? – forte quimera. Iluminada intuição.
(d. f. m.)
terça-feira, 8 de novembro de 2011
"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."(Morte e Vida Severina)
domingo, 6 de novembro de 2011
Envio-lhe as menções da alma, essa que sofreu
O cinza das tardes, os restos dos olhos cansados
O amor e seu secreto desconhecimento.
A presença de um anjo divinizado, no alto
Daquela montanha que sozinha cumpre
Sua sina pontiaguda, seu perfil erecto.
Envio-lhe memórias dúbias, ressentidas
Como afagos que ficaram na pele
Entumescidos e chagados. O bronze diluído,
O raso riso das mulheres nas noites cálidas
O encontro com o inexpressivo do meu verbo
A fatalidade do poema e seu assombro.
E entre os restos, o fluído do meu ser.
(d.f.m)
por bem lhe mostro minha face
voltada ao escuro. como escolho
as máscaras, assim também respiro
sem lhe prometer regressos, ou albas,
sem que te espante as tardes
em que não estou. só o espelho
de toda fórmula secreta é que é
verificável na dinâmica do tempo
refletida em ti, transtornada e bela.
(fernando marini)
terça-feira, 1 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
(Vinícus de Moraes)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
ciliares celestes
é sobretudo o limite do tempo que dilacera
vosso estado de coisas, vossa comunhão
com o corpo. sobretudo o silêncio da retina
que despe-te dos cílios, das águas e fuligens
que encantam tua vida, amálgama e céu;
e esse episódio colorido construído em síntese
hermética dá o sentido exato de vosso coração.
(Fernando Marini)
domingo, 23 de outubro de 2011
Ensaio
Em instantes meu mundo caiu,
e não há o que fazer, não há como voltar,
olhar pra trás e encontrar um motivo pra recomeçar.
Não há mais nada.
Se foram os dias,
As músicas,
As noites,
As filosofias que me frustraram,
As pessoas,
Se foi a credibilidade da diferença,
A sutileza única,
A imagem bela de um ser perfeito.
Se foi,
Se foi tudo.
Se foi a esperança que me guiava pros seus braços,
Se foi a dor de esperar,
Se foi aquela curiosidade.
Veio a descoberta,
A tristeza,
A desilusão,
A falta de expectativas,
O fim.
Quem sabe agora será um novo começo,
O começo verdadeiro, sem hipocrisia,
Sem mentiras,
O primeiro começo.
Antes foi um ensaio pras magoas,
Agora um ensaio rumo à realização.
Percebo que estou distante de todos, de tudo,
Acho que não moro mais aqui,
Acho que não pertenço mais ao espaço dos desesperados.
Agora, o que me resta é esperar,
Aguardar, com paciência,
O que virá...
O que virá?
E se vier?
Estarei aqui...
Morrerei aqui.
Esperaaaaando.
(M. Oliveira)
Onde é que eu fui parar
Aonde é esse aqui
Não dá mais pra voltar
Por que eu fiquei tão longe…
Tão longe…
Onde é esse lugar
Aonde está você
Não pega celular
E a Terra está tão longe…
Tão longe…
Não passa um carro sequer
Todo comércio fechou
Não tem satélite algum transmitindo notícias de onde eu estou
Nenhum e-mail chegou
Nem o correio virá
E eu entre quatro paredes, sem porta ou janela pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado no vácuo de um quarto no espaço sem fim
Aonde está você
Por que é que você foi
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe…
Tão longe…
Não dá mais pra voltar
E eu nem me despedi
Onde é que eu vim parar
Por que eu fiquei tão longe…
Tão longe…
domingo, 25 de setembro de 2011
Gargalhada
Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo...
Guimarães Rosa
(1908-1967)
terça-feira, 20 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
Teus olhos entristecem
ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱ
Fernando Pessoa
Teus olhos entristecem.
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham, esquecem...
Não me ouves, e prossigo.Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱﻸჱﻸ ﻸჱﻸჱﻸ
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A Arte De Não Adoecer
Se não quiser adoecer - Fale de seus sentimentos. Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.
Se não quiser adoecer - Tome decisões. A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagens e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer - Busque soluções. Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera perda de energia que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer - Não viva de aparências. Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho, etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer - Seja honesto. Este fato está muito co-relacionado com o anterior. Hoje o maior foco de ausência de saúde é nas empresas. Mas por quê? Porque vivemos um momento delicado de falsidade e desonestidade (marketing pessoal, intrigas, mentiras, armações, planos maquiavélicos para , puxar o tapete). Nada mais doentio do que isso. Finge-se que tudo está bem. Nada pior para a saúde das duas faces da moeda, ou seja, para quem atinge e para quem é atingido, é essa busca desenfreada pelo materialismo. Estamos vivendo um novo momento, onde a busca é pelo equilíbrio espiritual. Nunca buscou-se tanto Deus, como se procura hoje. Busque a sua "Inteligência Espiritual".
Se não quiser adoecer - Aceite-se. A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer - Confie. Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer - Não viva sempre triste. O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. O bom humor nos salva das mãos do doutor.Alegria é saúde e terapia.
Por Dr. Dráuzio Varella
Se não quiser adoecer - Tome decisões. A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagens e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer - Busque soluções. Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera perda de energia que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer - Não viva de aparências. Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho, etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer - Seja honesto. Este fato está muito co-relacionado com o anterior. Hoje o maior foco de ausência de saúde é nas empresas. Mas por quê? Porque vivemos um momento delicado de falsidade e desonestidade (marketing pessoal, intrigas, mentiras, armações, planos maquiavélicos para , puxar o tapete). Nada mais doentio do que isso. Finge-se que tudo está bem. Nada pior para a saúde das duas faces da moeda, ou seja, para quem atinge e para quem é atingido, é essa busca desenfreada pelo materialismo. Estamos vivendo um novo momento, onde a busca é pelo equilíbrio espiritual. Nunca buscou-se tanto Deus, como se procura hoje. Busque a sua "Inteligência Espiritual".
Se não quiser adoecer - Aceite-se. A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer - Confie. Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer - Não viva sempre triste. O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. O bom humor nos salva das mãos do doutor.Alegria é saúde e terapia.
Por Dr. Dráuzio Varella
quarta-feira, 2 de março de 2011
A lua faz silêncio para os pássaros
A lua faz silêncio para os pássaros,
- eu escuto esse escândalo!
Um perfume vermelho me pensou.
(Eu contamino a luz do anoitecer?)
Esses vazios me restritam mais.
Alguns pedaços de mim já são desterro.
........................................................
(É a sensatez que aumenta os absurdos?)
De noite bebo água de merenda.
Me mantimento de ventos.
Descomo sem opulências.
Desculpe a delicadeza.
Manoel de Barros
(1916)
A lua faz silêncio para os pássaros,
- eu escuto esse escândalo!
Um perfume vermelho me pensou.
(Eu contamino a luz do anoitecer?)
Esses vazios me restritam mais.
Alguns pedaços de mim já são desterro.
........................................................
(É a sensatez que aumenta os absurdos?)
De noite bebo água de merenda.
Me mantimento de ventos.
Descomo sem opulências.
Desculpe a delicadeza.
Manoel de Barros
(1916)
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A perfeição O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Clarice Lispector
(1920-1977)
sábado, 22 de janeiro de 2011
Chegaria tímido e olharia tua casa,
A tua casa iluminada.
Teria vindo por caminhos longos
Atravessando noites e mais noites.
Olharia de longe o teu jardim.
Um ar fresco de quietação e repouso
Acalmaria a minha febre
E amansaria o meu coração aflito.
Ninguém saberia do meu amor:
Seria manso como as lágrimas,
Como as lágrimas de despedida.
Meu amor seria leve como as sombras.
Tanto receio de te amar, tanto receio...
A sombra do meu amor
Poderia agitar teu sono, pertubar o teu sossego...
Eu nem quero te amar, porque te amo demais.
Augusto Frederico Schmidt
(1906-1965)
Mais sobre Augusto Frederico Schmidt em
Assinar:
Postagens (Atom)











